Desenvolvimento verificado. CMA CGM, Copersucar, Bunker One, Santos Brasil, AGEO Terminais e Everllence concluíram uma operação de abastecimento com bioetanol do navio de 13.000 TEU CMA CGM IRON, no Porto de Santos, em 12 de julho de 2026. As empresas a descrevem como o primeiro abastecimento, no Brasil, de um porta-contêineres transoceânico com bioetanol. A Reuters informou de forma independente que foram fornecidos 650 mil litros de etanol anidro. O navio é o primeiro de uma série de 12 unidades equipadas com motor tricombustível Everllence-B&W G95ME-C10.5-LGIM, certificado para usar combustível convencional, metanol ou bioetanol.

A importância vai além de uma única entrega de bunker. A operação integrou fornecedor brasileiro de biocombustível, infraestrutura dedicada de armazenagem em Santos e entrega por barcaça especializada. Assim, testou a interface navio-porto necessária para disponibilizar um combustível alternativo líquido a um navio oceânico sem alterar sua função em serviço de linha. Na mesma data, o Ministério de Portos e Aeroportos publicou estudo de descarbonização que aponta combustíveis de baixo carbono, tecnologias limpas e eficiência energética como frentes para futuras ações nos portos e no transporte aquaviário brasileiros.

O que permanece não comprovado. Trata-se de uma única aplicação operacional, e não de prova de disponibilidade em escala para a navegação internacional nem de resultado uniforme de emissões. Nem o anúncio das empresas nem a reportagem independente consultada divulgaram resultado verificado de emissões de gases de efeito estufa do poço à esteira para este abastecimento específico. Qualquer benefício climático dependerá de evidências sobre matéria-prima, uso da terra e cadeia produtiva, emissões de transporte, qualidade do combustível e método de contabilização aceito no regime aplicável. Para escalas na UE, o FuelEU Maritime avalia a intensidade anual de GEE da energia de bordo em base completa do poço à esteira.

Por que isso importa. Armadores e afretadores que avaliem navios aptos a usar etanol devem tratar Santos como precedente prático de cadeia de suprimento, e não como conclusão sobre preço do combustível ou conformidade. Antes de incorporar premissas de combustível a uma carta-partida, estimativa de viagem ou alocação de emissões, as partes devem definir especificação, protocolo de transferência de custódia e amostragem, documentação de sustentabilidade e rastreabilidade, implicações de poder calorífico e consumo, limites operacionais do fabricante do motor, responsabilidades de terminal e barcaça e repartição do risco de combustível fora de especificação, atraso e reporte de emissões. Para interesses de carga, seguradores e P&I, a questão central de visibilidade é se nota de entrega, certificados, amostras e dados de consumo podem ser mantidos em arquivo rastreável para futura reclamação, auditoria ou verificação regulatória.

Processo editorial assistido

A tecnologia apoiou a pesquisa e a redação. A TWS mantém a responsabilidade editorial pelo conteúdo publicado e pelas fontes citadas.

Precisa de suporte operacional?

Transforme informação em ação.

Solicitar atendimento