Em 21 de setembro, a ABS anunciou ter concedido Aprovação em Princípio (AIP) à HD Hyundai Heavy Industries e à HD Korea Shipbuilding & Offshore Engineering para o projeto básico de um navio multifuncional de abastecimento de 22.000 m³, capaz de fornecer amônia como combustível marítimo. A aprovação, anunciada na Gastech 2026, decorre de um projeto conjunto iniciado no começo deste ano. Segundo a ABS, a análise abrangeu arranjo geral, arranjo de máquinas, sistema de manuseio de carga de amônia e sistema de fornecimento de combustível, frente aos requisitos aplicáveis de classe e internacionais.

O significado verificado é de infraestrutura, e não comercial. A AIP oferece às partes uma base de projeto examinada pela sociedade classificadora para uma embarcação de abastecimento de amônia de porte relevante. Não equivale a encomenda de construção, aprovação da administração de bandeira, autorização para abastecer em porto específico nem comprova a existência de serviço comercial de abastecimento de amônia. Engenharia detalhada, avaliações de risco, procedimentos portuários e de terminal, capacitação de tripulações, planos de resposta a emergências e autorizações locais ainda serão necessários.

O momento é relevante. O Fórum de Pesquisa e Desenvolvimento da IMO, em Singapura, em 21 e 22 de setembro, trata de lacunas de conhecimento e capacidade para responder a derramamentos de combustíveis alternativos, inclusive amônia. A eventual função da amônia como combustível de baixo carbono é inseparável de sua toxicidade aguda e da necessidade de controles rigorosos de transferência, detecção, ventilação, contenção e emergência.

Para armadores, afretadores, operadores, P&I e seguradores, o sinal é que o setor avança dos conceitos de navios ammonia-ready para a cadeia logística necessária. Ainda assim, o projeto não prova que a disponibilidade de combustível acompanhará as encomendas de navios. O valor comercial dependerá de operações aprovadas, treinadas e integradas aos portos.

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