O Porto de Santos registrou em 2026 sua maior movimentação de contêineres para um mês de agosto, com 538.172 TEU, alta de 3,9% em relação a agosto de 2025, segundo a Autoridade Portuária de Santos (APS). Com isso, o volume de contêineres de janeiro a agosto chegou a 4.007.181 TEU, também recorde para o período e igualmente 3,9% superior ao comparativo do ano anterior.

O quadro mais amplo de cargas foi positivo, mas desigual. A movimentação total nos oito primeiros meses alcançou 125,9 milhões de toneladas, aumento de 3,1% na comparação anual. Os embarques cresceram 2,9%, para 93,1 milhões de toneladas, e os desembarques avançaram 3,6%, para 32,8 milhões de toneladas. Considerado isoladamente, agosto teve comportamento menos homogêneo: a carga total recuou 0,5%, para 16,4 milhões de toneladas, porque a queda de 0,7% nos embarques superou a alta de 0,2% nos desembarques.

A APS também informou recordes nos granéis. Os granéis líquidos somaram 13,4 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, alta de 9,3%, e os granéis sólidos alcançaram 64,0 milhões de toneladas, avanço de 2,7%. No segmento de granéis sólidos, soja em grãos, açúcar e soja peletizada foram os principais produtos mencionados pela APS. A autoridade informou que Santos respondeu por 28% da corrente de comércio exterior brasileira no período de oito meses; a China representou cerca de 31,8% do comércio internacional do porto, como origem ou destino.

Os totais oficiais exigem atenção ao serem comparados com bases de terminais ou dados aduaneiros. A APS esclarece que suas estatísticas incluem terminais de uso privado e consumo de bordo para abastecimento, além de contabilizarem movimentos de safamento tanto no desembarque quanto no reembarque. Em publicação separada, a ABTRA informou que os contêineres de importação descarregados para despacho aduaneiro em Santos ficaram abaixo do nível de agosto de 2025. Isso não contradiz o recorde portuário da APS, mas mostra que o crescimento total em TEU pode refletir uma combinação distinta de exportação, importação, transbordo e atividade terminal.

**Por que isso importa:** Para armadores, terminais e interesses de carga, o recorde confirma pressão contínua sobre os fluxos conteinerizados em Santos, mesmo com leve queda da tonelagem total em agosto. Operadores de navios devem continuar a validar janelas de atracação, cut-offs de terminal, posicionamento de vazios e capacidade de entrega terrestre por serviço e mercadoria, sem se basear apenas no crescimento agregado do porto. Para donos de carga e seguradores, o padrão misto reforça o valor de evidências contemporâneas de gate-in, recebimento em terminal, sequência de embarque, ressalvas de condição e horários de transferência quando surgirem questões de atraso, demurrage, condição da carga ou conexão perdida.

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